2 mai

Essa  eu aprendi com a mãe de uma amiga lá no Goiás.  A fama é a seguinte: Vou te ensinar um peixe que não tem gosto de peixe.

Eu não entendo isso muito bem. Porque eu gosto de peixe e, claro, do gosto dele em si. Tanto que gosto até daqueles que fazem muita gente torcer o nariz, como sardinha e piranha.

Mas essa minha amiga, por exemplo,  não gosta. Ele quer a textura, quer até um pouco do sabor, mas não quer sentir o mar, muito menos o rio no seu garfo. Aliás, essa é uma das polêmicas dos nadantes. Em São Paulo é recorrente a afirmação de que peixe de rio tem gosto de barro.  #NOT

Claro que ele não tem gosto de mar, mas também não tem de gosto de terra insira aqui o seu insulto e discordância. Simplesmente porque peixe não come terra, e se come, está doente e não serve pra ser comido. Tanto que os índios sempre abriam o peixe e verificavam as entranhas – se houvesse barro no bucho, descartavam. Normalmente eles se alimentam de pequenos seres e plantas da água doce. Por sinal, a mesma água que você provavelmente toma na sua casa, com a diferença de um ou outro tratamento, mas é. Ou você bebe água do mar?

Polêmicas a parte, voltemos à receita. Esse peixe deve agradar a todos porque é daquele tipo de comida fácil de comer. Uma combinação de elementos que nos agradam desde sempre. Molho de tomate, batata e queijo. Tudo empilhado e posto no forno para pegar um bronze. O peixe, lá no fundo, vira um mero coadjuvante, apenas suportando toda a massa úmida e cremosa.

Por tanto, se você é como a minha amiga goiana, que gosta de peixe sem gosto de peixe, teste essa receita em casa. É fácil e deliciosa.

Peixe que não tem gosto de peixe
Para 4 porções

Ingredientes

Para o peixe
4 filés de peixe (a mãe da minha amiga usa filé de pintado, um peixe de rio delícia, mas vale qualquer um. Como o objetivo é não sentir o gosto você pode usar uma tilápia ou sant peter, que são mais em conta)
Sal e pimenta a gosto

Para o molho
Azeite
1 cebola
2 dentes de alho
4 tomates frescos e maduros (ou 1 lata de tomate pelado)
2 pimentas de bode (opcional, claro)
Sal a gosto
Pimenta-do-reino em grãos

Para o purê
Salsinha com talos
4 batata grandes
2 dentes de alho
Pimenta em grão
2 colheres de manteiga
1 xícara de chá de mussarela
Queijo ralado a vonts (pode ser o de sua preferência)

Preparo
Comece colocando as batatas cortadas em pedaços médios (com casca e tudo) para cozinhar na água com uns 4 talos de salsinha, a pimenta em grãos e o alho até que fiquem macias.

Enquanto isso, amasse o alho com a pimenta de bode, pique as cebolas em cubinhos e os tomates também. Em uma frigideira coloque um fio de azeite, refogue a cebola até murchar, depois o alho e a pimenta. Na sequência acrescente os tomates e deixe o molho ferver até engrossar. Depois bate no liquidificador para ficar uniforme. Reserve.

Descasque as batatas cozidas e amasse até virar um purê rustico. Acrescente a manteiga, a mussarela, misture bem e acerte o sal. Tempere os filés de peixe com sal e pimenta.

Em uma forma individual – pode ser também em uma travessa grande no estilo para compartilhar à mesa, eu usei essas cocotes porque ganhei recentemente e estava afim de uma frescurinha – disponha os filés de peixe, cubra com o molho vermelho e depois com o purê de batata.

Finalize com o queijo ralado. Leve ao forno alto até dourar a parte de cima, o que deve acontecer em no máximo 10 minutos para o peixe não cozinhar demais.

16 abr

Eu sumi de novo. E de novo foi por uma causa nobre. Agora estou na equipe do UOL Receitas e vocês podem me ler aqui. Como esse tipo de mudança não é nada simples, tive que deixar o SM meio de lado. Mas claro, não parei de cozinhar e nem de comer. E nem de inventar moda. A última foi esse estrogonofe de cogumelos variados.

Como eu disse aqui, já se fez  estrogonofe de tudo nessa vida. A partir do original de carne surgiu toda sorte de dissidência.  Há de frango, de galinha d’angola, de avestruz e de pato. Até proteína de soja é considerada uma opção para rechear o famigerado prato no lugar do mignon.

Como não suporto proteína de soja e não há quem me convença do contrário. Tenho fé em um milhão de outros ingredientes para um bom prato vegetariano antes de chegar a tal ponto. Por isso, me apoiando na liberdade poética que só a cozinha nos dá, eu decidi fazer um estrogonofe quase vegetariano. Digo quase, porque sem nenhum tipo de proteína animal fica difícil chegar perto do sabor do original.

Estrogonofe de cogumelos variados

150g  de cogumelo paris fresco
150g de shitake
150g de cogumelo Portobello
150g de funghi secchi
150ml de creme de leite fresco
1 cebola média picada em cubinhos
1 copo de mirin (saquê culinário)
2 colheres de sopa de tomate pelado batido
1 colher de mostarda dijon
molho inglês
50 gramas de manteiga
noz-moscada a gosto
pimenta-do-reino moída a gosto
sal a gosto

Preparo

Limpe os cogumelos frescos em água corrente de forma cuidadosa. Pique em pedaços médios ou de sua preferência. Despreze os talos do porto belo e do shitake. Hidrate o funghi secchi em água quente suficiente para cobrir e deixe descansar.

 


Enquanto isso em uma frigideira coloque um fio de azeite, derreta a manteiga e frite a cebola. Depois refogue os cogumelos frescos nessa base por uns 5 minutos. Escorra o funghi já hidratado e junte-o ao refogado. Coloque o mirin e flambe se for capaz, se não, deixe o álcool evaporar.

Coloque o molho de tomate,  o creme, a mostarda, o molho inglês e tempere com pimenta, sal e noz-moscada. Deixe reduzir até que o molho fique untuoso.  Se for o caso,  acerte o tempero.

Sirva com arroz branco e batatas fritas, sauté, palha ou assadas, a que preferir. Juro que é uma delícia.

 

30 mar


Volta e meia eu via os concorrentes do Top Chef falando que iam fazer pratos surf and turf – uma combinação de proteínas do mar e da terra com o intuito de mesclar sabores e texturas. Mas foi na Cozinha da Matilde que eu provei o surf and turf pela primeira vez. Um filé mignon suíno suculento com ameijoas, delicioso.  Desde então fiquei com isso na cabeça, fiz uma reportagem tendo a chef Letícia Massula como fonte,  e contei a boa nova pra quase todo mundo que eu conheço. É assim. Quando descubro algo que gosto fico repetitiva e não sossego até enjoar do tema.   Então vamos desgastar a coisa.

Claro que a tal mistura não é novidade. Pelo contrário. Espanhóis, portugueses e italianos fazem essa mistura desde sempre, combinando presunto cru com peixes, bacalhau com bacon e vitela com atum, respectivamente. Indo ainda mais longe no tempo, os chineses também já o faziam: O que seria o yakisoba se não uma união de várias proteínas para dar corpo ao macarrão?

Nos EUA o surf and turf já nasce com outro viés. No auge da era de ouro, nos anos 60, os restaurante da costa Atlântica no intuito de criar pratos soberbos e caros juntaram os dois itens mais caros do menu:  lagosta e filé mignon. A combinação foi taxada de símbolo da culinária kitsch (brega) na Encyclopedia of bad taste (Enciclopédia do mau gosto). E hoje tem sido resgatada por chefs “popstar” como Gordon Ramsay e Jamie Oliver.

Como eu sou metida besta e adoro uma cafonice, fiquei com inveja da Letícia, do Gordon e do Jamie e me meti a fazer a minha versão de  surf and turf aqui no Sem Medida. Fui pra cozinha e juntei duas proteínas: o camarão do mar e o filé mignon da terra. Deu certo. Pelo menos aqui em casa a brincadeira fez sucesso. Segue:

Filé mignon com  camarões
Para 2 porções

Para o camarão:
250 gramas de camarões pequenos sem cabeça, mas com casca
50g de manteiga
50ml de vinho branco
cebolinha a gosto
sal e pimenta moída na hora a gosto
2 dentes de alho médios
azeite para a grelha

Para o mignon
4 medalhões de filé mignon (200g)
50ml de vinho tinto
1/2 cebola
sal e pimenta moída na hora a gosto
50g de manteiga
azeite para a grelha

 

Preparo
Coloque um fio de azeite em uma frigideira, frite o alho  até que ele doure e depois acrescente os camarões, coloque metade de manteiga, parte da cebolinha um pouco de sal e pimenta. Acrescente o vinho e deixe o álcool evaporar por uns 5 min. Cuidado para não cozinhar muito e o camarão ficar duro. Desligue o fogo e coloque o restante da cebolinha e da manteiga gelada, isso vai deixar o molho mais encorpadinho. Acerte o sal e reserve.

Vamos ao filé. Passe barbante em torno dos medalhões. Isso fará com que eles fiquem mais suculentos e não percam a forma durante o cozimento. Em outra frigideira bem quente, coloque um fio de azeite e grelhe os medalhões dos dois lados até dourarem, o que deve levar uns 5min de cada lado. Caso goste de carne mais passada, deixe uns 10min de cada lado. Enquanto os medalhões descansam, na mesma panela coloque umas 2 colheres de cebola picada, o vinho tinto e deixe reduzir por uns 5min, tempere com sal e finalize com a manteiga gelada para encorpar já fora do fogo.

Coloque o filé sobre esse molho de vinho e sobre eles os camarões e sirva. JU-RO que é uma delícia!

19 mar

Hoje é segunda, dia mundial da preguiça. Por isso, separei uma receita rápida, sem muita história, pra você correr pra cozinha e sair com algo pronto em no máximo 30min. Um espaguete com camarão, abobrinha e tomatinhos. É leve e fica morto de bom.

Eu já disse diversas vezes aqui que amo muito camarão. É o meu grande clichê. Aquela coisa de caipira criado longe do mar. Lá no Goiás camarão sempre foi coisa chic, de dia de festa. E  talvez, por isso, o meu encantamento exagerado.

Sei que eu amo e toda vez que vou pra Santos, onde mora a família do meu cônjuge, volto com um farnel desses crustáceos. Geralmente em SP, quase todos os camarões são de cativeiro.  Serve, até porque não há escolha. Mas se pode ter o do mar, vale investir. Agora, cafonagens a  parte, vamos à receita.

 

Espaguete com camarão, abobrinha e tomatinhos
Para duas porções

Ingredientes
1/2 pacote de espaguete
200g de camarão médio
1 abobrinha pequena
100g de tomatinho
2 dentes de alho
50g de manteiga gelada
azeite
sal e pimenta do reino a gosto
salsinha picada a gosto
1 cálice de vinho branco

Preparo
Em uma panela grande coloque  água para aquecer para cozinhar a massa. Seja generoso, é melhor sobrar que faltar. Enquanto a água aquece, corte a abobrinha em rodelas finas, ou em tiras finas. Você decide o que é mais simples. Pique os dentes de alho bem miudinho. Corte os tomatinhos ao meio e reserve. Lave os camarões.

Em uma frigideira aqueça um fio de azeite e doure o alho. Coloque os camarões, em seguida o vinho e deixe cozinhar por uns 5 minutos. Acrescente a abobrinha e os tomatinhos e deixe por mais 5 minutos. Enquanto isso, coloque a massa para cozinhar na água fervente, acrescente sal na água. Não coloque óleo, isso só fará com que a massa fique escorregadia e pesada, além de impedir a adesão ao molho.

Verifique se o camarão está cozido porém, macio. A ideia é que tudo fique ao dente e o camarão não passe do ponto. Acerte o sal e a pimenta. Desligue o fogo coloque a manteiga gelada e bata um pouco para o molho engrossar. Finalize com a salsinha.

Escorra a massa quando estiver ao dente, mas reserve uma boa parte da água do cozimento. Junte a massa ao molho da frigideira e leve mais uns 3 minutos ao fogo, coloque uma concha da água do cozimento para dar um pouco mais de caldo e untuosidade.  Sirva na hora.

 

15 mar

Nesse lindo calor que anda fazendo em SP, nada mais justo do que apelar para receitas leves. É o caso do refrescante gazpacho, uma sopa fria espanhola que deve ter umas 78986 versões, mas todas com algo em comum: O pão. Tanto que segundo a Larousse da Gastronomia, o nome de origem árabe significa pão molhado, base dessa sopa nascida em Sevilha, na Andaluzia. Inicialmente levava apenas alho e azeite e era comida de resistência para as camadas mais pobres da população.

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5 mar


Depois do penne e do creme com salmão, volto à saga do aspargo de R$ 1. Essa é a mais simples, e pra mim, a mais gostosa. Os aspargos alla milanese. É um dos preparos mais consumidos na Itália.  Trata-se de um ovo estrelado com a gema mole onde você pode molhar os talos do vegetal com as mãos mesmo. Aqui eu investi na frescura, usei um aro para fritar o ovo e ele ficar lindo assim, para a foto, e temperei com flor de sal e pimenta do reino moída na hora. Ficou uma delícia.

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1 mar

Acabo de voltar de Goiás com algumas coisas na manga. Mas como não tive tempo de fazer nada porque trabalhar é preciso, fiz um post preguiçoso, com receita “roubada”, mas nem por isso menos digna.

A Linguiça Blumenau é típica do Sul do Brasil. Uma herança dos imigrantes alemães. Mas quem me apresentou a iguaria foi uma amiga mineira, do Triângulo, quase minha conterrânea. A Ana sabe comer, come bem e o melhor de tudo, é naturalmente magra. Daquele tipo de gente abençoada que dá até raiva, sabe? Pois.

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10 fev

Camarão é meu clichê. Eu amo, não nego, nunca. Sempre tenho espaço pra esse crustáceo na minha vida. Acho que fica bom de quase todos os jeitos. Cozido, ensopado, assado na grelha, no risoto, na torna, na empada, na massa, cru ou empanado e frito. Pra mim esse último os politicamente corretos que não me ouçam,  o melhor. O nível de crocância é imbatível, sem contar a textura macia e o sabor acentuado do camarão. Tudo fica evidente nesse preparo. Com a farinha panko, fica ainda melhor.

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7 fev

Conforme o prometido no post anterior, segue a segunda receita com aspargos da série, ideal para o jantar de hoje porque é um prato que pode inclusive ser servido frio:

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6 fev

Faz um tempo, vivemos aqui em casa algo na mesma linha da cenoura, só que com aspargos bem mais bapho!. Tudo porque na teve um surto no fornecimento aqui na feira do bairro e por algum motivo no universo o pacote estava custando R$ 1. Sim, UM REAL. Para quem não sabe isso é uma grande coisa. Primeiro, que nem o pãozinho custa mais um real. Segundo, porque aspargos verdes frescos custam em média R$ 10 o pacotinho que vem com uns sete.

Mas tem um motivo para serem caros assim. Os aspargos são raros, principalmente no Brasil – só chegou aqui nos anos 30 e mesmo assim em conserva. Hoje, o nosso vizinho Peru é um dos maiores exportadores do mundo, talvez por isso, o preço aqui tenha variado e, às vezes, aconteçam promoções como a que tive a sorte de encontrar.

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