04-28-12-cork-blog

 

 

* por Jéssica Marinzeck

Assim como discutir política, religião ou futebol, o tema vinho com rolha ou vinho de rosca também gera polêmica e possui diversas vertentes, mas antes de julgar, precisamos entender cada uma delas.

A velha e boa rolha de cortiça, desde o século 14 tem sido a principal vedação para os vinhos pois, além de ser natural, sela o vinho de uma maneira que quando o líquido entra em contato com a rolha, ele faz com que a mesma se expanda e vede perfeitamente a garrafa. Uma quantidade pequena de oxigênio será trocada por entre essa rolha, fazendo com que o vinho envelheça e quem sabe melhore com o passar dos anos. Por isso os vinhos vedados com rolha devem ser guardados deitados.

Além dessa função, há todo o charme de se abrir o vinho com rolha e ainda há o barulhinho que agrada tantas pessoas na hora em que a rolha é retirada da garrafa.

Mas, como nada é perfeito nessa vida, a rolha tem alguns agravantes como, por exemplo, a contaminação por TCA, que nada mais é que uma substância química que surge da presença de fungos na rolha, esse fungo causa um indesejado odor de mofo no vinho.

Já a rosca, ou screwcap, começou ser utilizada por volta de 1964, apenas. Apesar de não possuir tanta pompa ou glamour, ela é livre de qualquer fungo, fácil de ser levada em qualquer ocasião e mantém o vinho sem nenhum contato com o oxigênio externo, ou seja, a evolução se mostra muito mais lenta, mas não há risco de oxidação.

Em ambos os casos o vinho irá evoluir, só que, de maneiras diferentes. O que isso quer dizer? Que cada produtor irá analisar e estudar o que é melhor para o seu vinho. Não existe melhor ou pior, ambos são benéficos à bebida.

Um estudo recente realizado pela Conect, em conjunto com o Ibope, revelou que o consumidor paulistano acredita que vinhos lacrados com rolha agregam maior valor à bebida do que aqueles com tampas de rosca ou mesmo rolhas de plástico. Veja bem, ninguém saberá se um vinho é vedado com rolha sintética ou de cortiça a não ser que você o abra ou que alguém lhe avise, rolhas de plástico têm sido um subterfúgio para alguns produtores.

Países como a Nova Zelândia, que possui cerca de 90% dos seus vinhos selados com screwcap e a Austrália que está indo no mesmo caminho, têm mostrado bons resultados com a rosca. Testes foram realizados com o mesmo vinho e da mesma safra e a screwcap se saiu melhor comparada à rolha tradicional. Infelizmente, para agradar alguns mercados, certos produtores ainda usam a rolha, mesmo acreditando que ela não trará maiores benefícios aos seus vinhos.

Como em qualquer mercado, o tempo irá dizer, na verdade já está dizendo, dizendo que ambos os processos são sim benéficos, mas basta apenas que os consumidores percam um pouco do preconceito. Claro que a discussão ainda não acabou e muitos defenderão a cortiça ou a screwcap até os últimos dias. C´est la vie!

 

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”

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