Demorei pra começar o ano por aqui e nem vou explicar o porquê. E já saio dizendo: dá licença, que hoje não tem receita. Também não tem promessas, muito menos arrependimentos. Só vontade de compartilhar algo para além de parcos preparos, como os bons agouros que trago com a expectativa de um ano bom. Aliás, o melhor de nossas vidas.

Do balanço da virada tiro um cartão de crédito perdido que não fez a menor falta, muitos novos amigos encontrados (que falta já fazem). E todos os velhos e bons revisitados. Nem que seja no modo remoto.

 

 

Horas de voo pra cruzar o Brasil e dar primeiro em Rio Verde, no Goiás. Para sempre minha casa. De cara, empada. Depois, piqui. Lombo da mamãe,  peixe na telha do papai, surubim na brasa da churrascaria perto de casa, estrogonofe da tradição de aniversário… e muitos abraços. Teve até parabéns da Fátima.

Ah, o Goiás! Família, amigos, daquele tipo de gente que o tempo para quando vocês se separam e só volta a andar de novo quando se reencontram. Não dá pra explicar.  Nem precisa.

 

 

De lá, para mais horas de voo. Dessa vez, para dar num “mar” calmo de água doce, capaz de se fundir com o céu, que preconiza tudo o que quero para 2013 (só pra contrapor a fúria das ondas salgadas de 2012). Ah, Alter do Chão. Um dos cotovelos do continente, no meio do Tapajós.

Tacacá, Vatapá Paraense, Tapioquinha, Sorvete de Murici, Bolinho de Piracuí, mais Surubim, e Charutinho, e Tucunaré, e Tambaqui e Pirarucu e medo de arraia. Dá-lhe peixe de rio! Com Cerpa gelada pra coroar o assunto.

Pra virar, uma festa colorida, abençoada, ao som de um Brasil (dou graças ao DJ Tutu) que só me dá orgulho. Entrei o ano cozinhando, mais do que comendo. Sorrindo de orelha à orelha.  Numa ilha da minha fantasia.

Não dá pra superar a liberdade do pé no chão, a leveza da comida simples e fresca como deve ser, a preguiça institucionalizada que ensina o desapego e o que de fato importa pra ser feliz. E o calor, ah o calor da Ilha do Amor.

 

 

Amém, Alter do Chão, a tudo que de você brotou nesses dias que te namorei. Amém, Goiás, por todo o piqui e todo amor, o que dá na mesma. Amém, São Paulo, por me receber de novo. E a todos os meus queridos espalhados por esse mundo de meu deus, amém.

2012 foi tipo um aquecimento. Um pré-preparo. Um “mise en place” para “La Grande Bouffe” que será 2013. Entro o ano com uma certeza de tudo que quero é estender, de cabo a rabo, essa leveza que trouxe na mala.  E ter o dom de lembrar sempre que as coisas são simplesmente o que são.

E bora cozinhar e escrever, que é pra isso que estamos aqui. Amém.

 

 

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