No melhor estilo edição limitada, acaba de inaugurar no Brasil a Hors Concours, importadora que tem como proposta trabalhar apenas com rótulos únicos. Daqueles que você não vai achar em qualquer lugar, muito menos em grandes quantidades. Na semana passada estive com um dos sócios, Diego Cartier, em uma degustação no Aconchego Carioca (de São Paulo) para experimentar parte do que ele vai oferecer por aqui.

A notícia boa é que as cervejas engrossam o caldo de rótulos raros e de edições limitadas e de alta qualidade aqui no Brasil. Na lista há os estilos saison, lambic e strong dark ale. Como as da belga Fantôme, do cervejeiro Dany Prignon, que tem fama de fazer as “grand crus” das cervejas e de utilizar ingredientes inusitados como flores e cogumelos nas suas receitas. Diego aposta inclusive que seus rótulos agradarão os amantes de vinho, graças às características dos produtos. De tão especiais, já estão sendo chamadas de Cult Biére (em analogia os cult wines).  

Já a notícia mais ou menos ruim é que justamente por ter esse portfólio exclusivo, Diego não consegue vender de baciada. Para provar as beldades, tem de ir em algumas das casas que vão comercializar os produtos da Hors Concours, o que inclui empórios e restaurantes que já são velhos conhecidos dos cervejeiros paulistanos (lista lá em baixo), cariocas e alguns do sul. “Realmente é que teremos raridades encontradas por num trabalho de garimpo, por isso, não tem como atender grandes demandas”, explica Cartier. O preço também faz jus ao valor subjetivo dos produtos. As garrafas mais raras podem ultrapassar os 300 reais.  

Segundo o Diego, essas são cervejas para degustar praticamente em temperatura ambiente de preferência com uma boa refeição. “São ótimas parceiras de prato por serem versáteis, ricas e bem equilibradas”, contou. E por isso, você também deve encontrá-las em restaurantes como Epice e Olympe, da família Troisgros.  

Vale registrar que o Aconchego Carioca oferecerá  21  rótulos, inclusive um exclusivo do bar, o St Amatus. Vamos a alguns dos rótulos da degustação:

Fantôme

Da já citada Fantôme, talvez a principal cervejaria da importadora, vem diversos rótulos.  Na região da Valônia, Sul da Bélgica, são produzidas as cervejas típicas de fazenda, secas, frisantes, com adição de especiarias nas receitas, que são guardadas a sete chaves por Dany Prignon. 

Fantôme Saison (foto acima), um clássico e referência do estilo, vai ser a mais vista por aqui porque é a única produzida regularmente pela cervejaria . Para quem não morre de amores pelo estilo, pode acreditar que vale a pena. Parece champanhe com seu frisante, mas mais cremosa e frutada sem ser azeda e extrema na acidez.   

Mas outros rótulos sazonais (dos cerca de 20 produzidos ao longo do ano) alguns virão ao Brasil em lotes únicos. É o caso da Magic Ghost (foto acima), que tem chá verde na composição e na cor. Uma cerveja com notas e frutadas e mais acidez que a anterior, mas ainda assim agradável fácil de beber. A presença do chá é perceptível, mas também dá para sentir um toque cítrico que lembra limão.  A cor é baphônica (foto abaixo).

Ainda da Fantôme, vem  La Piétrain (foto abaixo). Uma cerveja beneficente que tem sua venda revertida para a salvação do porquinho estampado no rótulo e que empresta o nome à bebida. Ele está em extinção. No caso provamos a Ambree, uma Belgian Strong Ale, com aroma cítrico e herbal. Na boca traz laranja e um pouco de fermento, com um final seco que me agrada bastante.

Blaugies

Seguindo a lista fomos para Blaugies, uma pequena cervejaria familiar da província de Hainaut, na fronteira com a França. Dizem que são cervejas de garagem. No caso, a garagem do casal cervejeiro Pierre-Alex e Marie-Noëlle. Foi deles a minha favorito na degustação, a La Moneuse (foto abaixo), outra Saison (me converti). Explico. É doce, mas não é, tem malte seco e amargo e toques picantes. Meu jeitinho. Da mesma casa vêm ainda a clássica Saison d’Epeautre (com espelta, um tipo de trigo-vermelho) e Darbyste (com suco de figo). 

 

Struise

Do Flandres, região flamenca no norte Bélgica,vem a produção da conceituada Struise dos amigos e fazedores de cervejas Carlo Grootaert e Urbain Coutteau. Reconhecidos por  envelhecer suas produções em barris reaproveitados de vinho, whisky e calvados que dão às suas cervejas complexidade e profundidade. Eu tive o privilegio de provar as últimas garrafas da Pannepot Reserva 2009, envelhecida 14 meses em barricas de vinho francês. E também as derradeiras Pannepot Grand Reserva 2008, que descansaram 14 meses em barricas de vinho francês e mais 10 meses em barricas de calvados. Não são para iniciantes e devem agradar bem os amantes de vinho. 

Também da Struise, encerramos a prova com a Black Damnation III – Black Mes, uma Imperial Stout  que passa por barris de uísque escocês e também chega aqui nas últimas garrafas de uma serie limitada. Tem mar, tem defumado e tem melado, além do uísque. Muito rica  e encorpada.

 

 

 

Alguns lugares onde encontrar as cerveja da Hors Concous:

Aconchego Carioca
Alameda Jaú, 1372, São Paulo
Tel.: (11) 3062-8262

EAP
Rua Vupabussu, 305, São Paulo
Tel.: (11) 3031-4328

Empório Sagarana
R. Marco Aurélio, 883, São Paulo
Tel.: (11) 3539-6560

Frangó
Largo da Matriz de Ns. do Ó, 168, São Paulo
Tel.: (11) 3931-4281

Bier Market (Porto Alegre)
Rua Castro Alves, 442, Porto Alegre
Tel.: (51) 3013-2300

 

 

 

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