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* por Jéssica Marinzeck

Oiê! Se existe um tema no mundo do vinho que com certeza vira polêmica, esse é o uso da madeira na fabricação da bebida. Um vinho pode ser fermentado em barricas de madeira, como também pode estagiar em barricas de madeira depois da fermentação para que haja um maior amadurecimento do líquido.

O carvalho é a madeira mais utilizada mundialmente por conta da sua maleabilidade, impermeabilidade e resistência. Existem dois tipos de carvalho diferentes, o Francês e o Americano (além do Eslovêno e Russo, usados em quantidades menores). O carvalho Francês é o mais caro e o mais trabalhoso, ele não pode ser serrado como o carvalho Americano, e precisa ser rachado ao meio devido a sua maior porosidade na hora da fabricação das famosas barricas de carvalho.

O carvalho pode aportar ao vinho taninos, estrutura, complexidade, estabilização de cor e uma troca de oxigênio com o ambiente externo que é essencial para que o vinho possa envelhecer propriamente. Quando falamos de carvalho Francês tendemos a encontrar notas mais tostadas e de baunilha no resultado final da bebida, já quando o assunto é carvalho Americano, falamos de aromas mais acentuados, de baunilha doce e côco.

Outra coisa que influencia o vinho, é a tostagem interna dessa barrica, que pode ser leve, média, intermediária e alta.

Barricas de primeiro uso irão influenciar a bebida muito mais do que barricas que já foram utilizadas. E é aí que a tal confusão que eu falei no primeiro parágrafo começa. Muitos produtores, utilizam-se de barricas de primeiro uso para mascarar possíveis erros em seus vinhos ou mesmo para incorporar aromas que somente a barrica poderá contribuir. Em muitos casos esse uso é demasiado e o vinho não possui expressão nenhuma de onde veio nem qualquer característica da uva que foi usada.

Já as barricas que foram utilizadas duas ou mais vezes, contribuem menos com esses aromas, mas ainda assim o vinho sai beneficiado pela troca de oxigênio que obteve durante seu estágio em madeira.

Existem ainda aqueles produtores que não podendo comprar tais barricas, usam-se de técnicas mais simples para atribuir ao seu vinho alguma nota de madeira, eles chegam a inserir toras de madeira, chips (lascas) dentro de saquinhos, como se fossem aqueles saquinho de chá que temos em casa e até pó de carvalho. Mas infelizmente tal prática jamais será mencionada no rótulo e apenas os melhores experts do mundo, conseguem diferenciar no paladar se um vinho passou mesmo por uma barrica de carvalho ou se foi “chipado” como dizemos por aí.

A madeira no vinho não é vilã desde que usada com sabedoria. Como disse antes, pode contribuir e muito para a complexidade e longevidade da bebida. E você, prefere o seu vinho como? Até a próxima!

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”

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