Se perguntar para um baiano o que vai numa moqueca a resposta será bem diferente de um paraense. Para vandalizar ainda mais, chame um capixaba para a conversa. Provavelmente ele dirá: moqueca só tem no Espírito Santo, o resto é peixada.

Poucos pratos causam tanta polêmica, mas também são raros os que gozam de tanta popularidade e versões diferentes entre os brasileiros. É difícil afirmar qual a verdadeira. Até porque os africanos, antes mesmo de vir para o Brasil já faziam pratos bem similares com nomes diferentes.

Aqui o nome tem origem indígena, uma variação da palavra tupi pokeka, algo semelhante a embrulho. Representa o modo como os índios brasileiros preparavam os peixes envolvidos em folhas de bananeira com pimenta e colocavam para cozer na brasa.

Como afirmou o historiador Luís da Câmara Cascudo, no seu livro “História da Alimentação no Brasil”: “O cardápio brasileiro é uma incessante manobra aquisitiva de valores… Houve um processo aculturativo que não terminou. Conservam às vezes o nome, africano ou indígena, mas quase nada existe de autêntico na substância real. No primeiro caso, o vatapá e a feijoada completa. No segundo, o caruru, a moqueca de peixe”, anota.

Tais registros de Cascudo servem apenas para acalmar os ânimos dos puristas e dos radicais. No frigir dos ovos, praticamente todas as nossas receitas descendem de outras trazidas pra cá não só nos tempos do Brasil Colônia, bem como ao longo da construção de um ovem país. Logo, não há certo e errado, nem verdadeiro nem falso. E a moqueca é talvez a maior representante dessa trajetória.

 

Confira algumas versões de moqueca:

Receita de Moqueca Sertaneja da Margot

Receita de Moqueca africana (peixa à lumbo)

Receita de Moqueca Ovo Vegetariana

 

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