pinotage

 

* por Jéssica Marinzeck

A primeira vez que visitei a África do Sul, eu simplesmente me apaixonei. Na época eu trabalhava como Comissária de Bordo pela Emirates Airlines e tive a chance de passar 24 horas na Cidade do Cabo. Foi o suficiente para que eu retornasse poucos meses depois, em férias. E foi naquela cidade onde também visitei minhas primeiras vinícolas na vida. Ou seja, minha ligação com a Cidade do Cabo e os vinhos sul-africanos, não é de hoje.

Felizmente eu tive a chance de retornar ao país novamente em Setembro desse ano, mais uma vez a trabalho e com a missão de selecionar alguns possíveis novos rótulos que poderão chegar em breve ao Brasil.

A África do Sul, como muitos de nós já sabemos, sofreu muito com a o período do Apartheid (regime de segregação racial) que terminou em 1994. O país tem uma longa história vitivinícola, mas ela foi duramente interrompida por conta desse lapso em sua história. E há mais de 20 anos a África do Sul vem trabalhando para desenvolver e promover ainda mais a qualidade dos seus vinhos.

A uva tinta Pinotage foi uma das responsáveis sobre essa fama internacional que esse país africano ganhou. Ela é um cruzamento de outras duas castas tintas, a Pinot Noir e a Cinsault (conhecida como Hermitage na África do Sul).  Muitos dos vinhos que temos no mercado hoje em dia,  não mostram de verdade o potencial dessa uva.  Ela é capaz de variar entre vinhos mais simples e frescos até alguns mais complexos e bastante encorpados com notas de ameixa preta, cassis, tabaco e alcatrão.

Mas dos tintos que provei, o que mais me chamou a atenção foi um rótulo que infelizmente não está disponível no mercado brasileiro e foi feito 100% com a uva Cinsault. Ele era leve, despretensioso, fácil de beber e com ótima estrutura. Outras uvas que são bastante encontradas no Rhône (França), têm performado muito bem na África do Sul, como a própria Cinsault, Syrah, Mourvédre entre outras.

A África do Sul tem duas grandes características a seu favor, altitude e a influência oceânica dependendo de onde você estiver.  Isso facilita também o cultivo de uvas brancas. A Chenin Blanc com certeza é a branca mais marcante naquelas terras. Ela aparece em vinhos secos e leves até os de sobremesa, e os preços também acompanham.

Mas eu também não poderia deixar de falar aqui, da competência com que muitos vinhos produzidos com a Sauvignon Blanc têm saído de lá. Eles são elegantes, intensos sem serem enjoativos e também refrescantes.

Se você estava procurando novidade para a sua adega, ou se está cansado(a) da mesmice de suas escolhas, que tal se voltar para um rótulo da África do Sul? Infelizmente nosso mercado ainda não está muito aberto para esses rótulos, mas o aumento dessa demanda só depende de nós consumidores.

Mas se existe alguém que entende de vinho sul-africano no Brasil, é o pessoal da Qual Vinho?. E minha dica de hoje é um rótulo que eles trazem com exclusividade:

Lam Pinotage 2013. É um vinho orgânico, desses que acabariam com qualquer super-degustador numa prova às cegas. Ele possui notas de frutas vermelhas, taninos finos, ótima acidez e um final bem longo.

Tchau!

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”

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