Several_Rhone_and_Provence_roses

* por Jéssica Marinzeck

Faça calor ou faça frio, brasileiro quando pode escolher, escolhe vinho tinto, uma pena. Talvez porque pareça o mais correto ou simplesmente por achar que vinho tinto é melhor do que um branco ou um rosé. Mas é ai mesmo que o erro começa.

Alguns vinhos brancos são sim, mais fáceis de serem degustados, leves e despretensiosos. O que não quer dizer que a sua qualidade seja inferior. Mas, existem ainda, alguns branquinhos que são complexos, encorpados, longevos e cheios de camadas de aroma e sabor que dão um baile em muitos tintos.

Daí em seguida, aparecem os rosés. Os vinhos rosados não figuram entre os mais complexos do mercado, mas têm um papel fundamental no mundo do vinho: nos fazem relaxar e esquecer das preocupações. Pois é, pense no melhor cenário para se degustar um vinho rosé. Pensou? Aposto que o que veio a sua cabeça foi uma praia, uma piscina ou a varanda de uma casa de campo.

Cada vinho tem a sua missão. Vamos nos esquecer  dos mais sérios por enquanto, e pensemos nos vinhos alegres, que pulam da taça  trazendo aromas frescos, frutados, florais, encantadores. Toda vez que penso em vinho rosé, essas lembranças e essa sensação de leveza me preenchem a alma.

Mas você sabe como o vinho rosé é produzido? Ele é feito de uvas tintas, como a Pinot Noir, a Tempranillo e tantas outras que você já deve ter visto por aí. Elas são colhidas, esmagadas e o mosto, ou suco da uva, é mantido em contato com as cascas por um período de tempo bem curto, senão, viraria tinto. Daí, esse mosto rosado é então vinificado como se fosse vinho branco.

Além dessa forma, é possível também produzir o vinho rosé de tantas outras maneiras, entre elas, pode-se fazer um rosado, misturando o vinho branco ao tinto, esse método é proibido em diversos países, mas pode ser utilizado na produção de Champagne rosé.

Aliás, vinhos rosés são ótimos quando harmonizados com frutos do mar. E não precisa ser nada muito sofisticado não, um camarão fritinho, uma lula e até com uma boa posta de atum, esses vinhos podem cair bem.

E se você está pensando em sair da zona de conforto do vinho e se aventurar pelo mundo dos rosés, anote a minha dica, afinal, o Brasil tem um clima perfeito para consumir muito mais desses vinhos:

Fígaro Rosé 2013 (Mas de Daumas Gassac)

Da região do Languedoc, no sul da França, esse vinho é produzido com 90% Cabernet Sauvignon e 10% Petit Manseng, pelo método de sangria. Durante a fermentação de um vinho tinto é retirado dele uma porcentagem para a produção do rose enquanto o restante continua a sua fermentação normalmente. Mas voltando ao Fígaro, como eu disse de muitos rosés, é leve e saboroso com muitos aromas de frutas vermelhas e ótima acidez.

Espero que, se você já gostava de rosés, que continue a tomar mais desses vinhos e para você que ainda tinha um pouco de preconceito sobre esses vinhos, que comece a apreciá-los um pouco mais.

Tchau!

 

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”

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