Portugal

* por Jéssica Marinzeck

Há algumas semanas fui gentilmente convidada pela Comissão de Vinhos do Tejo a conhecer a região. Era a minha primeira viagem a Portugal então eu estava super empolgada. Todo ano tento conhecer um novo país e com tantos compromissos em 2015, quase não bati a minha meta.

Fiquei instalada na cidade de Almeirim, que fica cerca de uma hora de carro da capital Lisboa. Na estrada em direção a Almeirim algo já tinha chamado a minha atenção. Era a formação de uma névoa que durou apenas o período da manhã, e se dissipou com o passar das horas dando passagem a um baita solzão. O clima durante boa parte da viagem ficou bastante seco e quente.

Mas voltemos a tal névoa que me chamou a atenção, e também a influência marítima que a região sofre. Fiquei divagando sobre a possibilidade das uvas daquela parte do Tejo serem atacadas pelo fungo da Botrytis, aquele mesmo fungo que acomete algumas vinhas em Bordeaux e em Tokaji e ajuda na produção de alguns dos vinhos mais doces do mundo, o Sauternes e o próprio Tokaji. E para a minha surpresa: sim, dependendo do ano alguns vinhos botritizados podem sair do Tejo também.

Mas essa era apenas uma das regalos que tive durante a minha estada. Algumas vezes falamos em custo x benefício no mundo do vinho e isso nos lembra produtos de qualidade questionável, por um preço que todo mundo pode pagar. No Tejo, o custo x benefício de fato acontece! Espero que os valores na subam depois desse artigo, mas não tenho tamanha pretensão.

Numa região onde podemos encontrar desde produtores pequenos e familiares até grandes cooperativas, os diferentes estilos de vinho também são trabalhados. Tive a chance de provar desde espumantes, rosés, brancos, tintos e vinhos de sobremesa e tenho que assumir que foram poucos aqueles que se apresentaram como uma qualidade aceitável.

Os tintos portugueses são sempre agradáveis, encorpados, combinam bem com pratos á base de caça e aqueles que degustei no Tejo são muito semelhantes. As uvas mais encontradas foram a Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Castelão, Syrah, Cabernet Sauvignon e também a Merlot.

Mas foram os brancos que me chamaram à atenção. Limpos, bem feitos, vívidos, com fruta tropical madura e alguns passados por madeira, mas sem chegarem a ser enjoativos. As uvas mais utilizadas são a Fernão Pires, a casta branca mais plantada em Portugal e a Arinto, que contribui com a sua natural acidez elevada. A Chardonnay também é encontrada por lá, mas numa menor escala.

Só que não podemos falar de Portugal, sem falar da sua culinária. Bebe-se e come-se muito bem lá! Eu já sabia disso, mas pude provar. Na cidade de Almeirim, aquela que citei logo no começo do texto, existe a famosa Sopa da Pedra. A história conta que existia um frade naquela região que disse que conseguia fazer uma ótima sopa de pedra, mas para a sopa ficar melhor ainda, ele necessitaria de alguns ingredientes extras como feijão, ervas, carne etc. Tudo lorota, mas a fama da sopa ficou! Ela é bastante rica e uma delícia.

Se você ficou curioso ou curiosa para descobrir algumas das maravilhas do Tejo, anota a minha dica:

– Cardal Tinto Regional do Tejo 2013

Produzido com as uvas Touriga Nacional, Castelão e Trincadeira, ele possui aromas primários de frutas vermelhas bem maduras, como a ameixa e até o morango e em boca ele tem uma textura bem suave. Na Evino por cerca de R$ 37.

Espero que tenha gostado. Tchau!

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”

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