Cultura

É conserva: Saiba as diferenças entre carne seca, charque e carne de sol

Por Larissa Januário em: em: 26 de agosto de 2016
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Carne seca, é o termo amplo que pode, dependendo do local do Brasil, significar carne de sol, charque, jabá, serenada e frescal… Mas com tantos nomes, será que trata-se do mesmo produto ou ele muda conforme a região?

Primeiramente, precisamos esclarecer que em todos os casos trata-se da mesma técnica culinária. Como a necessidade é a mãe solo que trabalha como jornalista freela (AFEE) da criatividade,  a cura de carne por salga e secagem nasce com o objetivo de fazer durar.

Isso mesmo! Toda carne curada é antes de tudo uma conserva! Um recurso para estender a vida útil da carne e permitir longas viagens sem estragar. Coisa antiga, usada há séculos, num mundo pré geladeira, e freezer e sacola térmica.

Basicamente, a carne é desidratada por meio do uso de sal. O que muda é o tipo de carne usada, o tempo de cura e até o método usado. A seguir, uma lista com as diferenças de cada uma das carnes curadas disponíveis no mercado. 

farofa_carne_seca_cozinheirosemacao_larissa_januario4Carne seca
Parece charque, mas não é.  A carne seca, além de poder ser o nome genérico do produto em si, pode significar, em algumas regiões do Brasil, um tipo de produto específico. A carne de bovinos (como alcatra e contra filé) cortada em postas e mantas, salgadas e depois expostas ao amanhecer por períodos variáveis até que perca pelo menos 50% da sua umidade. Geralmente leva mais sal e tem mais tempo de cura que a carne de sol, por exemplo, é menos úmida e tem maior prazo de validade. Deve ser dessalgada por no mínimo duas horas e pede cozimento longo. Feita na pressão fica macia e suculenta. Depois de cozida pode ser desfiada e passada salteada na manteiga para compor receitas como escondidinho, pastéis, bolinhos e tortas. Pode ser chamada também de carne-do-sertão, carne-do-Ceará, carne-do-Sul ou jabá.

Charque
Vem lá do Rio Grande do Sul esse produto. O batismo vem da palavra xarqui, do dialeto quíchua falado pelos índios da região dos Andes. Parece carne seca, mas a diferença é que leva mais sal e mais tempo de cura. Também é feita exclusivamente de carne de boi do dianteiro, mais gordurosos.  Os cortes são expostos à salga úmida, depois seca, antes de ir para a lavagem e secagem (ao sol ou em estufa). É mais durável que a carne seca e tem sabor e odor mais intensos e característicos. Na panela deve levar bastante tempo. Figura essencial no arroz de carreteiro. Também é chamada de carne-do-sertão, xergão, chalona, xarqui ou paçoca.

Carne de sol
Já do Nordeste temos a carne de sol, talvez a mais artesanal das carnes curadas. Passa por um leve processo de desidratação e salga, em que o corte (bovino ou caprino) recebe uma camada de sal fino e é deixado em locais cobertos e bem ventilados para secagem gradual. O sol ficou só no nome não é mais seca ao sol como antigamente. O período de secagem curto resulta numa carne ainda úmida com textura e cor bem parecidas com as originais e com menor prazo de validade. Mais macia, fica deliciosa preparada direto na grelha, churrasqueira ou frita, sem precisar passar antes por hidratação ou dessalga. Também é conhecida como carne-do-ceará, carne-do-sertão ou carne-de-vento.

Carne serenada
Muito semelhante à carne de sol é típica da região do cerrado mineiro. Também é passa por um processo artesanal de cura com pouco sal e pouco tempo. Os cortes, basicamente bovinos, depois de levemente salgados são postos no “serenador”, suporte coberto e cercado de telas. São deixadas no sereno aproveitando o frio e umidade noturna, daí o nome. O corte mais usado em Minas Gerais é o de lagarto, que depois de curado, rende um bom churrasco escoltado de arroz, salada, feijão tropeiro, torresmo e cachaça.

Jabá
Jabá é um termo que vem do tupi, uma variação de yaba ou jabau, que significa fugir. Uma referência à carne que os escravos roubavam e levavam para seus esconderijos, os quilombos também chamados no tupi de Jabaquara (refúgios de escravos). Presta-se aos mesmos usos da carne seca.

Jerked beef e beef jerky
Versão gringa (inclusive na variação fonética) do charque vendido nos supermercados do Brasil. O processo de salga e cura também é semelhante ao da carne gaúcha, mas com adição de sais de cura conservantes na composição. Sempre é embalado a vácuo, retendo um pouco mais de umidade que o charque. Pode ser usada da mesma maneira que o primeiro. Mas é importante não confundir o nosso Jerked beef com o beef jerky encontrado em vários países do exterior. Esse é um produto totalmente diferente do nacional. Trata-se de uma carne seca vendida como petisco em forma de palito, embalado a vácuo, já pronto para ser consumido que, inclusive, pode ter sabores diferentes.




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