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Izakaya: por dentro dos botecos japoneses

Por Larissa Januário em: em: 26 de agosto de 2014
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Boteco, tasca, tapa, pub, bar. Todas variações do mesmo tema. O izakaya é mais um destes espaços amigáveis em que as pessoas se reúnem para bebericar, petiscar e conversar. No caso, ao modo japonês. Se desmembrarmos a palavra, chegaremos ao conceito por traz do nome. O I vem do verbo nipônico estar, já ZAKA é uma variação para saquê e IA significa casa. Ou seja, casa ou lugar para estar bebendo saquê.

São botecos onde impera a informalidade. Inclusive, muitos izakayas, assim como botecos brasileiros, são pequenos negócios familiares, onde trabalham pai, mãe e filhos. “É um lugar para beber sempre combinando com petiscos em pequenas porções”, explica Jo Takahashi, especialista em cultura nipônica que acaba de lançar o livro Izakaya – Por Dentro dos Botecos Japoneses (ed Melhoramentos).

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A diferença entre um restaurante tradicional e um izakaya é que geralmente não há um menu complexo, a comida está ali para acompanhar a bebida. “A cozinha é pequena, com apenas dois ou três cozinheiros. O Kintaro (no bairro da Liberdade, em São Paulo) é um exemplo. Lá, a matriarca da família (dona Líria) trabalha num minúsculo fogão de duas bocas com os filhos. Saem da cozinha petiscos que vão desde uma sardinha marinada no vinagre, até miúdos como fígado, moela e rabada. Espetinhos na brasa também são uma das atrações, bem como os cozidões como o chanko nabe, um ensopado com frango, cogumelo e legumes que é o prato principal dos lutadores de sumô”, conta Takahashi.

O menu pode até não ser complexo, mas os sabores são, sem dúvida, uma atração a parte nos izakayas. “Mesmo estando em segundo plano, os pratos são extremamente saborosos e harmonizam super bem com saquês e cervejas. A ideia é combinar o petisco com a sua bebida preferida. Se for de cerveja, vá de edamame (soja verde) para começar, por exemplo”, explica Takahashi.

Aliás, cada izakaya tem um leque de pratos representativos, os famosos carros chefes. A dica é procurar os petiscos que têm mais saída, aqueles exclusivos da casa, que só fazem ali. “Por exemplo, no Issa (outro paulistano da liberdade), não deixe de experimentar o takoyaki (bolinhos de polvo), no Kidoairaku (também de São Paulo) vá de berinjela assada com missô. No Kabura não saia de lá sem experimentar uma tainha inteira assada no carvão e temperada somente com sal grosso”.

 

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Um restaurador para comerciantes de saquê

Na origem, os izakayas são semelhantes às antigas tabernas. Por volta de 1800, o consumo do saquê foi liberado para a população. No período Edo, a era pré-moderna do Japão dominada pela classe dos samurais, os comerciantes e viajantes experimentavam a bebida que iriam comprar. “Os depósitos distribuidores de saquê passaram a oferecer petiscos aos revendedores. Aos poucos, as receitas ficaram mais caprichadas e foram surgindo os izakayas, que significa literalmente local para estar com os saquês”.

Os izakays foram levados para fora do Japão por migrantes que se mudaram para a costa oeste dos Estados Unidos, Peru, Havai, países do sudeste asiático. Especificamente no Brasil essa cultura chega na segunda metade da década de 1950. “Havia muitos lugares nesses moldes que atendiam funcionários de empresas criadas por imigrantes japoneses, como o Banco América do Sul e a Cooperativa Agrícola de Cotia”, revela Takahashi.

Hoje é possível traçar um bom roteiro em São Paulo que inclui diversos izakayas “Na Liberdade há o Kintaro, o Issa (foto abaixo) e o Kabura. Já na região da Paulista, o Mitsuyoshi vale pelo balcão de espetinhos, o Bueno pelos petiscos exóticos como a barriga de porco que derrete na boca”, enumera Jo.  Vale procurar um izakaya de acordo com o seu perfil. “Se começar a frequentar o mesmo izakaya, faça como os habituées japoneses. Compre uma garrafa de saquê que será só sua, e peça para escrever seu nome no rótulo. Ela ficará exposta no bar e será servida somente com sua autorização”, orienta o especialista.

Para beber, a estrela é o saquê, o fermentado de arroz japonês. “Há muitos tipos de saquê, desde os mais fracos até os mais encorpados. Uma boa ideia é experimentar em diferentes temperaturas. Em dias frios, tome saquê quente (a 55 graus), ou morno (a 35 graus)”. Para variar, há a opção de começar com uma boa cerveja e ainda o shochu, que é um destilado de batata japonês.

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SERVIÇO:

Kintaro
Rua Thomaz Gonzaga, 57 – Liberdade, São Paulo – SP
Tel.: (11) 3277-9124

Izakaya Issa
Rua Barão de Iguapé, 89 – Liberdade, São Paulo – SP, 01507-001
Tel.:(11) 3208-8819

Kabura
Rua Galvão Bueno, 346 , Liberdade – São Paulo , SP – Brasil
Tel.: (11) 3277-2918

Bueno
Al. Santos, 835, Jd. Paulista
Tel.: (11)2386-8035

Mitsuyoshi
Rua Doutor Rafael de Barros, 163 – Paraíso, São Paulo – SP
Tel.:(11) 3285-6250




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