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Porque gim! Um passeio pela história da bebida que já foi remédio

Por Larissa Januário em: em: 21 de maio de 2014
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TANQUERAY_Gim Tônica

Pouco conhecido no Brasil, o gin não passa de um irmão da vodca, só que com uma personalidade mais marcante. A produção é bem similar a da sua parente mais popular: cereais como trigo, cevada e milho são fermentados para chegar num mosto de baixo teor alcoólico que é destilado para chegar ao líquido neutro e com alta graduação de álcool (90%). Daí pra frente é que começa a diferença.

Segundo o livro o Essencial e Cervejas e Destilados (ed. Senac), a fama é inglesa, mas origem do gin vem da Holanda. No século XVII (1650), o médico e professor, Francisco de la Boie, conhecido como Sylvius, pesquisava um remédio diurético que amenizasse problemas renais. Para isso juntou o zimbro ao destilado de cereais e fez o que mais tarde seria conhecido como gim. O nome é nada mais que uma corruptela das variantes genever (zimbro em holandês), genievre (no francês) e ginepro (em italiano). Sendo a Itália e sua Toscana, a principal região produtora de zimbro.

O tal “remédio” agradou mais que o esperado. Saboroso e barato logo se tornou um bom amigo dos soldados ingleses que lutavam pela Europa na guerra dos 30 anos para espantar o frio. Os combatentes voltaram pra casa levando consigo a nova bebida.

E foi na Inglaterra que o aromático destilado fez sucesso e história. Com invenção do alambique contínuo de Coffey passou a ser produzido em larga escala e logo ser tornou mais barato que a cerveja. Em 1730, Londres contava com mais de 7 mil pontos de venda de Gin. Os ingleses gostaram tanto da ideia que até falsificaram a bebida causando um problema serio de alcoolismo nas camadas mais baixas da sociedade.

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Como a base é a mesma, o segredo do gin está na meceração. “Normalmente a bebida permanece 24 horas maturando dentro de um alambique de cobre no qual são macerados especiarias, principalmente o zimbro”, explica Murilo Marques, embaixador de Tanqueray no Brasil.

Cada fabricante tem seu modo de preparo, por isso o sabor dos gins pode variar bastante de uma marca para outra. Há receitas que levam noz-moscada, lírio, álamo e até cascas de árvores como canela, laranja ou limão. Mas só pode ser chamado de gim, se houver zimbro na composição.

A destilação, por sinal, é o grande influenciador de sabor na fabricação. Algumas marcas redestilam o líquido para agregar outros gostos e aromas e obter produtos diferente. É o caso da Tanqeury. A versão London Dry da marca leva uma combinação de sementes de coentro, alcaçuz e raiz de angélica. O Tem leva os mesmos botânicos, mas passa por uma segunda e micro destilação para acrescentar sabores frescos de grapefruit, laranja, limão e camomila.

Os gins do tipo London Dry da Inglaterra são os mais famosos no mundo. A destilação em modo contínuo resulta numa bebida leve e aromática que compões drinques como dry matini e gim tônica. Já na Holanda ele é mais encorpado por ser destilado em alambique do tipo pot consumido gelado e puro como aperitivo. Os alemães o chamam de steinhager e o consomem como um digestivo pós-refeição.

Clericot Tanqueray TenFama (injusta) de mal
Apesar da sua graduação alcoólica ser compatível com outros destilados como vodca, tequila e pisco e mais baixa que de diversos runs, o gim tem fama de mal. “Esta percepção é por falta de conhecimento. A graduação alcoólica é justamente para manter os aromas das especiarias por mais tempo”, justifica Marques.

O especialista complementa ainda que é só uma questão de apresentar a bebida para as pessoas. “Vamos mostrar como deve ser consumida e despertar o paladar para o caminho sem retorno do mundo complexo e marcante do gin”. Ele aposta ainda que com o crescimento do turismo internacional entre os brasileiros ele vão acabar tendo mais contato com o gin lá fora, que está super em países da Europa e América do Norte.




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