Vinho Fácil: Conhecendo Rioja, na Espanha

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* por Jéssica Marinzeck

Alegria de quem ama vinho, é poder tirar férias em alguma região vitivinícola, passear por seus vinhedos e degustar os vinhos dentro das próprias bodegas, ali, tudo junto do enólogo.  E no artigo de hoje, você irá conhecer um pouco da região espanhola mais famosa: Rioja.

Logroño é a capital de Rioja e  fica há quatro horas a norte da capital espanhola Madrid. As opções para chegar a Logroño de Madrid são: trem ou ônibus, tanto do aeroporto de Madrid, Barajas ou do centro da cidade. A passagem pode variar entre €17,00 a €43,00. Há também a opção de pegar um avião, num vôo super curto de Madrid, que leva cerca de cinquenta minutos.

Além disso, há a chance de sair de Barcelona ou Bilbao, sendo essa última, a viagem mais curta de todas. Mas do Brasil somente saem voos diretos até Madrid.

Encontrar hotéis ou hostels em Logroño é super fácil, já que a cidade é uma cidade turística. Eu sugiro que você fique mais o próximo do centro já que é possível fazer a maior parte das atividades a pé mesmo.

Em  Logroño o negócio é sair para comer pinchos e tomar vinho. Os bares são literalmente um do lado do outro e cada um oferece um tipo de pincho diferente. Pincho, é uma pequena porção de um aperitivo que vem sempre acompanhado de um pão, pode ser jamon, cogumelos, lingüiça etc.

Mas não se empolgue em apenas um desses bares, o mais bacana é ir de bar em bar, provando os diferentes pinchos, vinhos, cervejas e cidras locais. Os lugares estão sempre cheios e o clima é bastante familiar.

A região de Rioja, é dividida em três partes, Rioja Baja, Rioja Alta e Rioja Alavesa, parte de Rioja Alavesa também faz parte do País Basco, que é uma comunidade autônoma dentro da Espanha, com sua própria bandeira e dialeto. É mais um local rico em cultura e boa gastronomia!

Todas as bodegas, ou seja, vinícolas, não ficam longe do centro da cidade e não leva mais que meia-hora para chegar em algumas delas, ou até menos!

Para chegar nessas  bodegas é possível utilizar o transporte público, mas em alguns casos é necessário ir de táxi, ou mesmo alugar um carro se você achar mais conveniente. O táxi em Logroño não é caro!

Algumas das Bodegas que valem muito a pena conferir são: Bodegas LANBodegas OntañónBodegas BaigorriBodegas Luis CañasDinastia VivancoYsiosBodegas RiojanasMarquês de Murrieta e muitas outras. A visita dura em média uma hora e meia e claro que sempre ao final você pode degustar pelo menos dois dos vinhos produzidos pela vinícola. As visitas tem um preço médio de €20,00 por pessoa e é necessário fazer uma reserva antes.

Além disso, vale a pena dar um pulinho em Laguardia para apreciar a vista de Rioja, que é demais, e dar uma volta nessa cidadezinha medieval, suas lojas e claro seus bares com mais pinchos, tapas, vinhos, cervejas e tudo mais que a gente ama!

Logroño é seguro e as pessoas são em sua maioria hospitaleiras! Um excelente local para passar as férias!

Tchau!

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”


Vinho Fácil: Sicília na moda! Já era tempo

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* por Jéssica Marinzeck

Que a Itália possui um vasto histórico na produção vitivinícola, isso você já sabe. Mas a Sicília, maior ilha no Mediterrâneo, foi durante muitos anos pouco reconhecida por seus vinhos. O rótulo de maior destaque ficava por conta de seu vinho fortificado, o Marsala.

Mas hoje, em 2015, é sabido que a Sicília possui muito mais a oferecer. Só que a história da produção de vinho e cultivo das vinhas nessa região, começa muito antes do que imaginávamos. Não é a toa que os Sicilianos não se sentem parte da terra-mãe. Pela ilha passaram fenícios, gregos, romanos, góticos, bizantinos, mouros, normandos, franceses e espanhóis, cada um deixando a sua marca. Mas foram os gregos que se instalaram nas costas da Ilha e trouxeram consigo cepas de melhor qualidade, além das técnicas de vinificação.

O clima na Sicília, não poderia ser outro: Mediterrâneo. Caracterizado por verões quentes e secos e invernos mais amenos e chuvosos. A topografia e as características dos solos mudam bastante de leste a oeste e de norte a sul da ilha. O sul é mais árido e possui uma vegetação mais baixa, diferente do norte que é mais montanhoso. Ao leste encontramos o rei da Sicília, o vulcão Etna, que proporciona um terroir único na região, obviamente vulcânico e com vinhos surpreendentes.

Além dessas características, a Sicília possui uma lista de uvas locais que produzem vinhos bem curiosos. Claro que você já deve ter ouvido falar da Nero D´Avola, a tinta mais conhecida na região, que sempre aparece em blends com as famosas Merlot e Cabernet Sauvignon. Poucos são os produtores que sabem tirar o melhor da Nero D´Avola, é importante pesquisar.

Duas uvas tintas têm aparecido cada vez mais em vinhos Sicilianos, e eu estou falando da Nerello Mascalese e Nerello Capuccio. O blend dessas cepas  é bastante comum, e para aqueles que gostam de vinhos ao estilo Barolo e Borgonha, tá aí uma opção! Outra tinta, a Frappato, pode aparecer sozinha ou em corte com as uvas citadas acima, seus vinhos são em geral mais encorpados e frutados.

A Sicília também possui uma gama de uvas brancas locais bastante interessantes: Catarrato, Inzolia e Grillo são nomes que você irá ouvir falar.

O número de uvas internacionais plantadas nessa região também é grande. Já mencionei a Cabernet Sauvignon e a Merlot, mas há um destaque para a Syrah, que se adaptou muito bem à ilha e a Chardonnay, que aparece em cortes com as brancas locais.

Se você ainda não provou nenhum vinho da Sicília, fique com duas dicas minhas:

´- Nero D´Avola Campo di Marzo Terre Siciliane IGT 2013

Um vinho simples, correto e que acompanha perfeitamente a massa de domingo.

Na Evino, por R$ 31,90

 

 

– Curatolo Arini Baglio di Luna Nero D´Avola 2013

Um pouco mais complexo que o primeiro, mas também fácil de ser apreciado e de agradar.

Na Decanter, por R$ 54,90

Espero que tenha gostado de se aventurar um pouco mais pela Sicília.

Tchau!

 

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”


Vinho Fácil: Guia Básico de Degustação

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* por Jéssica Marinzeck

É muito comum entre os iniciantes no mundo do vinho as inúmeras dúvidas durante a análise da bebida. Afinal,  que estamos procurando? Bom, primeiro de tudo não deixemos a diversão de lado, pois não há nada pior do que tomar um delicioso vinho ao lado daquele enochato-mega-master!

Tecnicamente existem 3 passos a serem realizados em uma degustação: a análise visual, a análise olfativa e a gustativa do vinho. E hoje nós iremos falar brevemente sobre cada uma delas.

A análise visual de uma bebida é muito importante pois ela já nos fala bastante sobre aquele vinho principalmente no que se refere à idade dele. À  grosso modo, vinhos tintos ficam mais claros ao passar dos anos, ou seja, podem variar do roxo, passando pelo rubi e granada, até chegarem a uma tonalidade tipo cor de tijolo. Enquanto os brancos começam boa parte de suas vidas em tons mais palhas, puxando para o esverdeado até também evoluírem para um tom amarronzado.

Já a análise olfativa é sem sombra de dúvidas a mais importante, nela encontra-se 70% de tudo que iremos perceber nesse vinho. Antes de iniciar essa etapa, cheire a bebida antes de girá-la na taça, essa é a hora de percebemos alguns aromas primários, como os de frutas e flores. Depois, gire o vinho e perceba se houve alguma diferença, se os aromas encontram-se mais acentuados, ou se houve alguma novidade.

Quais frutas você consegue sentir com mais evidência? Frutas frescas? Cítricas? Vermelhas? Tropicais? Quais aromas florais estão presentes, se houver algum? Além disso, se for um vinho mais complexo, você conseguiu perceber alguma nota de especiaria como gengibre, cravo, pimenta? Aqui, é o momento de você usar o seu repertório para descobrir o que aquele vinho está te entregando. Não tenha medos nem receios, cada um possui uma memória e uma vivência completamente diferente do outro.

Bom, finalmente chegou a hora de provarmos esse vinho. Deixe a bebida espalhar por toda a sua boca e permaneça com ela por alguns segundos antes de engolir. É importante que você faça isso algumas vezes, pois é ai que você irá descobrir tantas outras características dessa bebida.

Primeiro de tudo: os aromas encontrados no nariz, correspondem aos sabores encontrados em boca? Existem outras coisinhas a mais? No caso dos vinhos tintos, também iremos analisar os taninos, aquela sensação de secura que alguns vinhos provocam. Podemos senti-lo na língua e no céu da boca. Quanto mais espaço esses taninos ocuparem, consequentemente maior o grau de tanino esse vinho possui.

A acidez é outro elemento importantíssimo no vinho e uma técnica infalível para avaliá-la é deixar a boca aberta alguns segundos depois que engolir a bebida. Quanto mais você salivar, mais acidez esse vinhos possui.

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”


Vinho Fácil: Uvas brancas aromáticas

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* por Jéssica Marinzeck

Quem nunca abriu uma garrafa de vinho e um aroma inebriante tomou conta do local mesmo antes de servi-lo? Pois é, algumas uvas são naturalmente mais aromáticas do que outras e encantam a qualquer um. Elas são boas apostas para o enófilo amador já que as mesmas deixam muito claro, para o que vieram.

Hoje, focaremos nas castas aromáticas brancas.

Esses vinhos produzidos com uvas aromáticas podem variar de doces a secos, encorpados ou mais leves, com texturas diferentes, enfim, sempre haverá um estilo que irá lhe agradar. Um ponto interessante sobre esses vinhos, é que dificilmente eles passam por barricas pois a madeira pode justamente apagar esses aromas apaixonantes e naturais.

Vamos a elas:

Muscat – Essa talvez seja uma das mais aromáticas e a encontramos na composição de muitos espumantes como o italiano Asti e alguns nacionais. Ela também é conhecida como Moscato.

Gewurztraminer – Super perfumada. Apresenta notas de flores brancas, rosas e lichia. Gera vinhos com bom corpo e pouca acidez. Destaque na produção para Alsace, na França e a Nova Zelândia.

Riesling – Uma mutante. Pode vir em versões secas e mais leves, como também em vinhos doces inesquecíveis. Quando envelhecida possui um aroma único de gasolina. Alemanha, Austrália e Nova Zelândia chamam a atenção na produção.

Viognier – Produz vinhos mais robustos, com notas florais e de pêssego. É a rainha no norte do Rhône, na França, mas tem apresentado bons resultados no Chile.

Alvarinho (Portugal) Albarino (Espanha) – A mesma uva com características diferentes em ambos os países. Possui acidez alta, notas florais e minerais. A versão espanhola é mais encorpada.

Torrontés – A uva branca símbolo da Argentina, encontrada em abundância na região de Salta. Aromas florais intensos são encontrados em vinhos produzidos com essa uva, variando de secos a doces.

Sauvignon Blanc – Quando vinda de regiões como a Nova Zelândia e o Chile, apresenta notas muito marcantes de goiaba, maracujá e grama, além de ter uma acidez elevada natural.

Vinhos produzidos com uvas aromáticas são ótimos para serem servidos sozinhos, com uma entrada ou para harmonizar com aquelas receitas mais perfumadas, como por exemplo a cozinha Indiana, Baiana e Tailandesa que também apresentam uma coleção aromas, entre eles os de especiarias.

Vinhos brancos podem ser muito complexos e quando você cair nas garras dessas belezuras, é capaz de até se perder no caminho e optar mais por eles do que os tintos!

Até o próximo, tchau!

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”


Vinho fácil: Rolha versus Srcewcap.  Quem ganha?

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* por Jéssica Marinzeck

Assim como discutir política, religião ou futebol, o tema vinho com rolha ou vinho de rosca também gera polêmica e possui diversas vertentes, mas antes de julgar, precisamos entender cada uma delas.

A velha e boa rolha de cortiça, desde o século 14 tem sido a principal vedação para os vinhos pois, além de ser natural, sela o vinho de uma maneira que quando o líquido entra em contato com a rolha, ele faz com que a mesma se expanda e vede perfeitamente a garrafa. Uma quantidade pequena de oxigênio será trocada por entre essa rolha, fazendo com que o vinho envelheça e quem sabe melhore com o passar dos anos. Por isso os vinhos vedados com rolha devem ser guardados deitados.

Além dessa função, há todo o charme de se abrir o vinho com rolha e ainda há o barulhinho que agrada tantas pessoas na hora em que a rolha é retirada da garrafa.

Mas, como nada é perfeito nessa vida, a rolha tem alguns agravantes como, por exemplo, a contaminação por TCA, que nada mais é que uma substância química que surge da presença de fungos na rolha, esse fungo causa um indesejado odor de mofo no vinho.

Já a rosca, ou screwcap, começou ser utilizada por volta de 1964, apenas. Apesar de não possuir tanta pompa ou glamour, ela é livre de qualquer fungo, fácil de ser levada em qualquer ocasião e mantém o vinho sem nenhum contato com o oxigênio externo, ou seja, a evolução se mostra muito mais lenta, mas não há risco de oxidação.

Em ambos os casos o vinho irá evoluir, só que, de maneiras diferentes. O que isso quer dizer? Que cada produtor irá analisar e estudar o que é melhor para o seu vinho. Não existe melhor ou pior, ambos são benéficos à bebida.

Um estudo recente realizado pela Conect, em conjunto com o Ibope, revelou que o consumidor paulistano acredita que vinhos lacrados com rolha agregam maior valor à bebida do que aqueles com tampas de rosca ou mesmo rolhas de plástico. Veja bem, ninguém saberá se um vinho é vedado com rolha sintética ou de cortiça a não ser que você o abra ou que alguém lhe avise, rolhas de plástico têm sido um subterfúgio para alguns produtores.

Países como a Nova Zelândia, que possui cerca de 90% dos seus vinhos selados com screwcap e a Austrália que está indo no mesmo caminho, têm mostrado bons resultados com a rosca. Testes foram realizados com o mesmo vinho e da mesma safra e a screwcap se saiu melhor comparada à rolha tradicional. Infelizmente, para agradar alguns mercados, certos produtores ainda usam a rolha, mesmo acreditando que ela não trará maiores benefícios aos seus vinhos.

Como em qualquer mercado, o tempo irá dizer, na verdade já está dizendo, dizendo que ambos os processos são sim benéficos, mas basta apenas que os consumidores percam um pouco do preconceito. Claro que a discussão ainda não acabou e muitos defenderão a cortiça ou a screwcap até os últimos dias. C´est la vie!

 

* Jéssica Marinzeck  “Sommelière Certificada pela Court of Master Sommeliers, na Europa e nível 3 na WSET de Londres. Comecei minha experiência com vinhos na Europa e hoje sou Coordenadora de Compras do site Evino. Sou criadora do ‘O Canal do Vinho’ no YouTube e lanço esse ano meu primeiro e-book o ‘Básico do Vinho’.”